24 de novembro de 2014

Receber Bem – Formal ou Informal

Quem gosta de receber – como eu (Rsss…) – vive inventando moda e motivos para fazer uma reuniãozinha em casa!
Como disse uma vez meu cunhado e adorei a definição dele, “Na casa da Patrícia tem até inauguração de rodapé, tudo é motivo para um jantar!” – e é mesmo!!!

Mas como receber os amigos que já são de casa numa ocasião formal sem exagerar e parecer que está recebendo a Rainha da Inglaterra? E como Receber Bem aquelas pessoas que você não tem taaaanta intimidade?

Esse post tem como objetivo ser um manual básico para essas horas! Então, vamos lá!

Primeiro de tudo é preciso pensar algumas coisas:
– Qual a ocasião?
– Qual o grau de intimidade que você tem com as pessoas?
– Qual o perfil dessas pessoas? São mais formais, requintadas ou simples e despojadas?

Com isso você já consegue definir o tom da recepção.
Primeiro, se a ocasião pede algo mais formal, você não terá muito o que mudar. Um noivado, uma reunião com grandes executivos, por exemplo, necessáriamente seguirá esse rumo. Até porque as pessoas esperam algo mais requintado e formal.
Já um aniversário você pode escolher o tom que quer dar.

Depois pense nos convidados, se não tem muita intimidade escolha uma repção mais formal, mas sempre deixando-os a vontade (não precisa parecer que estão no palácio de Buckingham), se você tem intimidade pode optar por qualquer estilo, escolha o que cabe melhor ao momento. Eu gosto de receber de forma mais despojada quando se trata de almoço ou chá da tarde, e mais requintada quando é um jantar. As pessoas gostam disso, pois sabem que ao vir a minha casa sempre será diferente das outras vezes.

Mas cuidado, se os convidados são mais simples, ainda que você não tenha intimidade com eles, opte por algo mais informal.
Se vai fazer algo formal para amigos intimos dê pistas de como será para o convidado não se sentir mal e achar que não está vestido de forma apropriada, por exemplo. Se convidou para um churrasco, mas contratou garçon, churrasqueiro e vai harmonizar a carne com o vinho servido à mesa toda decorada (adoro!) avise que será um churrasco-chique!

E lembre-se, um almoço despojado ou um simples churrasco não significa desleixo. O fato de ser informal não impede de fazer uma recepção caprichada!

E por falar em trajes, a roupa dos anfitriões também é um ítem importante, independente se como será a recepção!
A dica de Lenny Niemeyer não costuma falhar: “Vista-se de forma neutra, para não parecer que fez uma super produção ” – afinal de contas você está na sua casa. Nada de decotes excessivos ou saia muito curta, prefira os saltos médios e uma maquiagem básica e bonita. “Dessa maneira, se um convidado chegar de jeans, se sentirá a vontade, se estiver com brilho, idem”. E produção de menos também é deselegante! Nada de receber de havaianas, nem que seja sua melhor amiga ou sua mãe!

Em reuniões formais – e nas informais também, por favor! – os anfitriões devem estar prontos no horário e receber pessoalmente os convidados.
Na impossibilidade de isso acontecer, designe uma pessoa com o mesmo grau de importância que o seu para receber seu convidado, já com um pedido de desculpas.

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O convite deve sempre ser feito com antecedência! Temos uma sessão exclusiva para esse assunto!

Lembre sempre de perguntar se os convidados tem alguma restrição alimentar ao convidar! Nada mais desagradável que servir carne para vegetarianos ou correr o risco de seu convidado comer algo que lhe dá alergia.

A casa deve estar sempre arrumada e alguns detalhes são importantes:

1. Iluminação: para ambas ocasiões, formal ou informal, prefira as luzes indiretas, aquelas que vem de abajur, velas, candelabros, luzes laterais, etc… Um bom projeto luminotécnico ajuda a criar um ambiente agradável, se está pensado em fazer uma reforma ou irá mudar de casa, aproveite a oportunidade porque faz a diferença! Se não for o caso, busque usar aquelas luzes que não vem direto do teto, nem as brancas, que mostram as imperfeições. Também não vale comer no escuro, é preciso um meio termo. Seus convidados precisam ver e saber o que estão comendo!
A questão aqui é deixar uma luz que dê conforto e aconchego. Se o ambiente estiver muito claro as pessoas cansam mais rápido e ficam mais agitadas – além de mostrar as imperfeições dos rostos e o ambiente não ficar tão sofisticado!

2. Música: em recepções formais escolha um estilo de música mais calma e deixe o volume mais baixo, tipo ambiente. Um jazz ou bossa nova sempre é uma boa pedida. Mas é preciso ser do gosto dos anfitriões, senão fica sem personalidade.
Em recepções informais o som pode ser mais variado, de acordo com o perfil dos convidados como um rock, dance ou pop, e a altura um pouco mais alta, mas lembre-se que as pessoas precisam conseguir conversar. Nada mais desagradável que você ter que gritar para se fazer ouvir ou não ouvir o que a outra pessoa está falando.
Se é uma festa e terá pista de dança ou será uma balada, reserve um ambiente com um outro tipo de música, em um volume mais baixo, para os que querem somente conversar.

3. Banheiro: sempre impecável, em ambas situações. Toalhas limpas, e se optar pelas pequenas individuais é preciso um cesto bem bonito para as usadas. Certifique-se que um dos empregados irá verificar constantemente a situação do banheiro e de forma discreta deixá-lo arrumado para o próximo que entrar. Isso é importante, principalmente em recepções com mais de 10 pessoas.
Amenities são um mimo, sempre tenho uma caixinha lindinha a disposição com band-aid, fio dental, absorvente, sal de frutas, analgésico, etc… Principalmente em recepções formais é importante deixar esses produtinhos a mão do convidado para que ele não passe por uma saia justa num imprevisto, e tenha que – morrendo de vergonha – pedir a você!

4. Acessórios da casa: sua sala tem telão? Lareira? Mesa de bilhar? Piano? Analise de acordo com a ocasião o que será usado e o que não for deixe desativado. Se é uma recepção formal e você tem um piano, contrate um pianista, nada mais chique e agradável. Está frio? Prefira acender a lareira a ligar o ar quente, é mais charmoso e seus convidados irão gostar (ainda mais no Brasil que não é algo tão usual). É uma recepção informal, deixe a mesa de bilhar a disposição dos convidados. Tem uma cozinha gourmet integrada com a sala? Então considere ter um Chef cozinhando para os convidados durante a recepção!
Esses ítens fazem toda diferença para sua recepção ser um sucesso e inesquecível! Importante deixar um empregado também atento a esses ítens, pois inevitávelmente um convidado deixará um copo em cima do piano ou um guardanapo sujo na mesa de bilhar, e sinceramente, só quem tem ou toca piano entende o apreço pelo instumento, para os demais, é só mais um móvel da casa!

5. Aroma de ambiente: indispensável. Escolha um aroma suave e delicado e espalhe pela casa minutos antes da hora marcada! Você pode deixá-lo no banheiro depois, a disposição para uso dos convidados.

6. Pets: temos uma sessão só para eles!!! Leia o post!

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À mesa:

Composição de mesa e etiqueta social é um capítulo a parte, e eu adoro!

Para recepcões formais, mesa posta completa, seviço empratado.
Para recepções informais vale montar um buffet ou servir a brasileira (travessas e panelas à mesa) mas lembre-se que travessas e panelas devem compor com a decoração da mesa, bonitas e impecáveis. Costumo dizer que as únicas panelas que tem permissão para ir à mesa são as Le Creuset (e similares). Essas aliás, tem tooooooda permissão do mundo, sou apaixonada por elas! Todo mundo que vem em casa convenço a comprar uma, depois as pessoas me ligam felizes da vida que fizeram sua primeira aquisição, como no caso de uma amiga que comprou várias pelo Amazon e mandou entregar tudo no hotel que o marido estava hospedado a trabalho. Não preciso dizer que o marido quis me matar, né? Acontece!

Em reuniões formais não há negociação, guardanapo de tecido com porta-guardanapo, sempre do lado esquerdo ou dentro do prato. Se quiser também há a opção de colocar embaixo do prato dobrado de comprido.

Nas reuniões informais, você pode escolher entre o de papel e tecido.
Como eu sou louca por guardanapos de tecido e tenho uma coleção, não perco a oportunidade em usá-los!
Mas lembre-se, se optar pelo de tecido, o de papel deve sempre estar por perto para emergências como jogar um chiclete. O correto pela etiqueta é ele estar dentro do de tecido, para esse fim.

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Para uma composição de mesa ficar completa deve-se sempre ter o que os americanos chamam de “Centerpieces” ou seja, um enfeite, uma peça ou arranjo de centro. Sempre opto pela composição com velas e flores naturais, pois dão cor e alegria. Se dispor de uma peça requintada como as araras ou castiçais de cristal mostrados nas imagens desse post, não hesite em usá-las em um jantar formal!

Mas lembre-se! Nada de flores com cheiros fortes, pois influenciam o aroma da comida.

Para recepções formais a regra é: a flor que usar no arranjo da mesa, deve ser usada no resto da casa, com as mesmas flores e cores. Não se deve misturar vasos com flores ou arranjos diferentes pela casa. Tudo segue o tom dado na mesa de jantar!
O que fazer com flores e arranjos que você já tem na casa? Guarde-os até o dia seguinte!

Eu particularmente dou licença poética para as orquídeas por um motivo bem particular: amo e coleciono orquídeas. Como as pessoas já sabem – e em geral me trazem de presente – acaba sendo um traço da minha personalidade que me permite infrigir a regra.

De qualquer forma, o que faço é escolher um local apropriado para as que estão floridas, para as pessoas entenderem que elas não fazem parte exatamente da decoração, mas da casa. E nunca misturá-las à decoração floral espalhada pela casa, como se fizesse parte da composição – a não ser, claro, que sua composição toda seja de orquídeas, chiquérrimo!

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Os lugares à mesa não precisam ser marcados, mesmo em uma recepção formal, a não ser que haja algum protocolo a ser cumprido: noivado, casamento, reunião política ou executiva de alto nível.
Nesses casos há cerimoniais e protocolos apropriados a cada ocasião.

Em reuniões formais a regra é: anfitriões sempre sentados à cabeceira da mesa.

Isso porque, segundo Rubem Queiroz Cobra, essas são posições com vista de todo o salão, estão no meio de um número igual de assentos de um e outro lado, por contarem com espaço mais amplo e melhores condições para serem servidos. Logo, são os lugares mais importantes ou mais valiosos e a partir destes, qualifica os demais assentos em ordem decrescente de importância.

São duas as disposições de lugares quando falamos de cabeceiras: a inglesa e a francesa. A primeira considera a cabeceira sendo a ponta da mesa. Na segunda considera o centro da mesa. No Brasil usamos a disposição inglesa, mas confesso que acho a francesa bem interessante, apesar de, aos nossos olhos, ser menos privilegiada e de menor status.

Lembrando que A é sempre o lugar do homem e B da mulher.
Caso a anfitriã esteja recebendo sozinha, ocupará o lugar A. E seu convidado de honra deve ocupar o lugar B.

Tanto em uma recepção formal como na informal, há a possibilidade do anfitrião ceder a cabeceira para o convidado de honra ou alguém que ele queira prestigiar, e ele assumir o acento da pessoa em questão. Mas isso fica a critério do anfitrião e cabe ao outro aceitar ou não, sem que isso seja uma ofensa ao anfitrião.

Para reuniões informais não há regras, mas eu sigo, por bom senso, uma parte da mesma regra da etiqueta social, pois há um ítem que me chama a atenção e acho interessante: nessa disposição: o anfitrião fica perto do número igual de pessoas de ambos os lados. No entanto, no Brasil tem-se o costume dos casais sentarem-se próximos, e espera-se que o dono da casa sente-se na cabeceira principal, mas não necessáriamente a esposa na oposta. Então meu marido senta-se a cabeceira A e eu ao lado esquedo dele. Penso que fazendo isso dou o tom para os demais convidados, deixando-os a vontade para fazer o mesmo, sentar-se ao lado de seu respectivo.

Certa vez me consultaram sobre um almoço informal onde parte das pessoas se sentariam na mesa da varanda por não caber todos à mesa de jantar. O raciocínio lógico da anfitriã era deixar os convidados na mesa principal e ela e o marido ficarem na mesa secundária com outro casal, o que até fazia sentido entendendo o ponto de vista dela. Mas como se sentiriam os convidados à mesa sem nenhum anfitrião? Afinal de contas, tinham ido lá para estar com eles, e possívelmente se sentiriam mal por estar tirando o lugar dos donos da casa, além de estarem desamparados: “A que horas passaremos para o próximo prato? Em que momento vem a sobremesa? Levanto ou espero o café?”

Minha recomendação nesse caso foi clara: um anfitrião em cada mesa.

Assim eles comandariam o andamento do almoço, o serviço e as necessidades dos convidados, além de não privá-los de sua presença.

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Receber é uma delícia e as regras são muitas. O importante de tudo é ser uma recepção sincera e alegre. Quando a casa é aberta com o coração dos anfitriões, não há quem não se sinta bem recebido!

Por Patrícia Távora Junqueira de Arantes